terça-feira, janeiro 23, 2007
segunda-feira, janeiro 22, 2007
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Dá que pensar, 11

K.O.T.A.
Segundo Duarte Vilar, director da AFP, os números estarão abaixo da realidade. " Num país onde a IVG é ainda ilegal, é muito provável que um número importante de mulheres não se atreva a reconhecer a sua prática", sublinha.
JPS/Fonte:AFP
in "A Página da Educação"
nº163, Jan. 2007, p.4
domingo, janeiro 14, 2007
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domingo, janeiro 07, 2007
ACEITAÇÃO
E sentir passar as estrelas
Do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos.
É mais fácil, também, debruçar os olhos no oceano
E assistir, lá no fundo, ao nascimento mudo das formas,
Que desejar que apareças, criando com teu simples gesto
O sinal de uma eterna esperança.
Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar,
Nem tu.
Desenrolei de dentro do tempo a minha canção:
Não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar.
sexta-feira, janeiro 05, 2007
DUELO ARTÍSTICO
Que importa se morrem?
Que importa se crianças,
de barriga grande, deitam espumas,
de tantas cores, pelas bocas?
Só as cores importam.
Qual será a cor das espumas angolanas?
Será castanho frio no zinco castanho quente?
Que importa?
Só o amor importa.
O nosso amor,
o nosso amor pela nossa vizinha.
Nasce-me água na boca,
(água, não espuma),
porque a nossa vizinha é óptima.
A nossa vizinha é soberba.
Certamente existe um deus, senão,
como poderia existir a nossa vizinha?
José Luís Peixoto
in JL 945, Jan. 2007 p.8
Nota: José Luís Peixoto publicou este poema em 1992, aos 17 anos, no JL nº510, na secção "A Prova dos Novos".
domingo, dezembro 31, 2006
Querido amigo:
Tenho pensado muito em ti, nestes últimos dias.
Todos falam na mudança de ano. E é mesmo por isso que eu penso em ti, porque vamos ter algo de novo, finalmente, e já não precisas de ir para o colégio. De certeza que, com este ano novo, as casas de banho da nossa escola já vão ter papel higiénico, e já vamos poder lavar as mãos com sabonete e secá-las sem ser na nossa roupa! E também devem substituir o coberto, onde nos abrigamos durante os dias em que está a chover, por uma sala grande e quente onde nos possamos divertir. E de certeza que vão tratar do chão do recreio, que é em terra, e em dias de chuva é de lama!. Lembras-te quando o Gonçalo te empurrou e caíste direitinho na poça?! Foi uma risota, mas tu é que não achaste piada nenhuma!! Uma semana em casa doente por teres estado o dia todo com a roupa molhada...
Um novo ano...Eu sei que tudo isto já existe há mais de dez, disse-me a minha prima que também andou na nossa escola, eu sei, mas agora vai ocorrer uma mudança e não acredito que seja só mudar o 6 para o 7. Se fosse só isso, para quê tanta azáfama?!! Algo mais tem de acontecer, não achas?
Um beijinho
Ana
P.S. Se não nos virmos antes, desejo-te um feliz, mesmo muito feliz 2007 !
segunda-feira, dezembro 25, 2006
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Dá que pensar, 10
quarta-feira, dezembro 13, 2006
MAR MEU
Estás ali: quando a terra acaba
Começas tu – mar meu
Como fico extasiado só de te ver assim calmo, ondulado na minha paisagem
Eu sou terra, tu és mar
Aventurei-me a navegar nas tuas águas serenas
A embarcação era frágil mas carregava cheia, vontade
E fui
Teu coral reflectia o encanto interior
E será sempre bonito a qualquer olhar lúcido
Nas ondas da paixão me entreguei
Balancei atordoado
Sinto que já não sou terra no barco mas só água – tua
Fiz-me líquido para me moldar às tuas formas
Que bem que fiquei
Coexisto alagado, sem querer regressar
Contigo flutuo sem sequer saber nadar
Deste-me a mão
Levaste-me na tua corrente a passear às profundezas
Perdemo-nos mutuamente
Depois pingamos fragmentos de felicidade
E continuamos assim molhados de saudade
Na insossa realidade esvaída de arte
Dedicaste o poema sentido
Levei a música ao teu festival
E tudo isto ficou pintado com tuas cores no vitral...
O farol adivinha tempestades
Pois que adivinhe, eu prefiro-te a ti
Apenas importa que não percas o teu sorriso lindo
Mar meu: não consigo ignorar-te
Tenho sede da tua água que nunca me basta
Ao menos, espero um dia consintas afogar-me em ti
E fazer parte do teu líquido estrutural
Sei que na tua imensidão oceânica
Abraças outras praias, outras terras
E como tenho inveja, ciúme dessas felizes areias acariciadas
Queria ser um rio – o único - que te enchesse de recordações
Mas existem outros (mais importantes) que também aspiram a essa felicidade
Não posso competir e existo só para verificar que cuidas de ti
No limiar das forças procuro o sal da tua alma
Que me tempera a existência
E não receio engrossar uma fila
Num qualquer consultório de hipertensos
Sim, fiquei viciado em ti
Na substância que te corre nas veias e alimenta o nosso mundo e outros
Sou dependente
Mas um maremoto devolveu-me à condição esquecida
Agora, quero apenas esperar na tua praia
E sonhar que voltes numa próxima maré...
Celso Silva
2004
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Canto dos Sonhos, 9
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Canto dos Sonhos, 8

Se a nossa voz crescesse, onde era a árvore?
Em que pontas, a corola do silêncio?
Coração já cansado, és a raiz:
Uma ave te passe a outro país.
Coisas de terra são palavra:
Semeia o que calou.
Não faz sentido quem lavra
Se o não colhe do que amou.
Assim sílaba e folha, porque não
Num só ramo levá-las
Com a graça e o redondo de uma mão?
(Tu não te calas? Tu não te calas?!)
Vitorino Nemésio
in Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa
Eugénio de Andrade (org.)
Campo das Letras, 2000, p. 420
terça-feira, dezembro 05, 2006
Inche Lautaro!
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Manhã
Sandra Cardoso
sexta-feira, dezembro 01, 2006
segunda-feira, novembro 27, 2006
Estado segundo, XXI
AMA COMO A ESTRADA COMEÇA
Mário Cesariny
in Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa
Eugénio de Andrade (org.)
Campo das Letras, 2000, p.488
domingo, novembro 26, 2006
Mário Cesariny
1923-2006Ponto final
(Nem sempre o ponto é final, pois facilmente pode ser transformado, e deve até poder ser transformado, em dois pontos, ou em ponto e vírgula, ou em ponto de interrogação ou até, o sinal de que eu mais gosto, em reticências ... e aí nascem novas possibilidades!)
Sandra Cardoso
quinta-feira, novembro 23, 2006
Canto dos Sonhos, 7

Pedro Conceição
É um palco, e um palco de sonho
Com figuras sem dever ...
Ali um destino risonho
Funde sonhar com ser.
Cenário de sonho, ilude-o!
Acção, nunca te dês!
Ficções de interlúdio
Enganai quem vos fez!
E viva a alma a esquecer,
Em transparência alheada,
A vida, que é plebe e mulher,
E a morte, que não é nada!
Fernando Pessoa
in Poesia do Eu
Richard Zenith (org.)
Círc. de Leitores, Set 2006, p.151
sexta-feira, novembro 17, 2006
Tecelão de Falsidades

Isabel Gomes da Silva
O manto que trago vestido
Teceste-o com as tuas mãos
Com fios de vento e de mar
De sol, de sonho, de luar
Azul em toda a extensão
Traz bordado a oiro e a prata
O canto das aves, o perfume do jasmim
Por qualquer lado que passo
Admiram a sua graça
E o rebordo de marfim
Mas eu vi um fio puxado
No manto que tu me teceste
E agora, por onde passo
Desfaz-se o teu manto lasso
Que ao meu coração trago preso
Escurece tristemente o luar
O sol arrefece o azul do meu mar
E nas canções que o vento me traz
Todo o sonho se desfaz
Só ouço o grito das aves
E o meu perfume já nem tu sabes.

Tecelão, ó Tecelão,
Não sabias que fios atados
De falsidades
Se desfaziam
em mim?
terça-feira, novembro 14, 2006
quinta-feira, novembro 09, 2006
Canto dos Sonhos, 7
DISSE-ME O CEGO NA ESTRADA
Disse-me o cego na estrada,
sem nenhum constrangimento,
Que andar à beira do abismo
é difícil, mas que a luz
avisa, fora das pálpebras
e a direção se conhece
pela brisa sobre a barba.
Ele andava pelos muros,
à beira dos precipícios
funâmbulo e equilibrista,
com o vento aberto na barba
e o sol nas fanadas pálpebras
Os videntes caminhavam
agarrando o muro e o chão,
pisando a sombra do cego
e as palavras que dizia.
Se algum vidente caísse
com toda a certeza, o cego
rápido o levantaria.
Cecília Meireles
in Cecília Meireles
Melhores Poemas
Maria Fernanda (sel.)
Global, 2006, p.160
domingo, novembro 05, 2006
Diálogos soltos, 5
(Não, não é fechar simplesmente. Pressiona-os com as pontas dos dedos para que a penumbra passe a escuridão. Sentirás, então, a passagem para um tempo e um espaço nulos.)
- Vejo um barco, no oceano.
- Impossível. Eu amarrei-o ao cais.
- Soltaram-se os ventos.
- Impossível. Eu recolhi as velas.
- Há muito que as vogais as ergueram.
- Impossível. Eu arranquei a bússola.
- ...
-No oceano, sem bússola ...
sábado, novembro 04, 2006
quinta-feira, novembro 02, 2006
Dá que pensar, 6
José Luís Peixoto
in JL, Ano XXVI
nº941, p.41
quarta-feira, novembro 01, 2006
Lusitana
Montada na garupa do cavalo
Selvagem ao vento pela planície
Montanhosa do passado que calo
Pálido fado meu fio amacie
O mar revolto e um sôfrego talo
De secreto sonho a manhã ondeie
Com suas róseas mãos possa plantá-lo
E meu coração de pedra incendeie
Sandra Cardoso
segunda-feira, outubro 30, 2006
Canto dos sonhos, 6

domingo, outubro 29, 2006
...
Ney Matogrosso
in Olhos de Farol
PolyGram, 1998
sábado, outubro 28, 2006
FRAGMENTOS
Tens razão...não te conheci verdadeiramente...mas ninguém te conheceu. Tu não querias. Se te falávamos sorrias e encantavas-nos com palavras sábias sobre o que se passava por cá. Hoje, sei que não era sobre isso que querias conversar. Hoje sei, mas eu tinha vinte anos e aos vinte não se sabe nada...
Como podia adivinhar que quando chegavas a casa e ligavas a televisão no canal dois,( se tu visses a programação agora!), para ouvir a música clássica que passava enquanto o canal não abria...(e eu não compreendia porque havias de ligar a televisão para ouvir música), como havia de adivinhar, nesse gesto, uma máscara social...querendo parecer da terra, navegavas nos sons e saías livre pela janela aberta, misturando-te no vento e com ele viajando por sonhos só teus... A tarde inteira fumavas, a tua companhia, dizias ... e eu não compreendia a solidão , a tua. Ou não queria. Ou não podia ...eu tinha 20 anos ... Só agora sei que mesmo sem escrever era em verso que pensavas. Só agora! E a cerveja já acabou.
terça-feira, outubro 24, 2006
Dá que pensar, 5
Jorge Amado
in O Gato Malhado e a Andorinha Sinhã
uma história de amor
Dom Quixote,1ª ed. , p.98
segunda-feira, outubro 23, 2006
Diálogos soltos, 3
- Vê, Marília, o que encontrei.
- Há quanto tempo!
- Há muito tempo!...
- O que o tempo faz!...
- Vamos pintá-las?
- Para quê?!!
Sandra Cardoso
sábado, outubro 21, 2006
Café Concerto

Maria de Fátima Silveira
Quando te conheci
Eras o concerto
Trompete, Jazz improvisado
Moravas na pauta de música
E a tua janela ficava na segunda linha
Perto da Clave de Sol
O cartaz indicava o café concerto
Da rua do sonho a seguir à travessa da realidade
Não houve respiração quando chegaste
No vestido Semibreve de cristal
E a pouca luz que define a tua silhueta
Causava alegria
A sala cheia, o ambiente tornado íntimo
Também eu estava
O microfone ligado
Foi o passaporte de magia
Cada pedaço teu, feito de som
O ar inundado de emoções
As palavras de veludo
Percorrem a pele arrepiada
E entram dentro de mim
Os teus lábios não escondem nada
Piano de cauda, aberto
Imagino os teus dedos compridos, delicados
Que quase me tocam devagar…
Tanto viver
O teu concerto nunca terminou
Quando te conheci
Corri depressa para agarrar essa noite
Dum tempo que não era meu
Não importa
Porque hoje, ainda recordo a tua voz doce
Como se cantasses só p´ra mim
Celso Silva
2006
quarta-feira, outubro 18, 2006
CONDICIONAIS

Se
Se as
Se as frágeis
Se as frágeis pequenas
Se as frágeis pequenas leves
Se as frágeis pequenas leves inocentes
Se as frágeis pequenas leves inocentes gotículas
Se as frágeis pequenas leves inocentes gotículas de
Se as frágeis pequenas leves inocentes gotículas de água
Se as frágeis pequenas leves inocentes gotículas de água dão
Se as frágeis pequenas leves inocentes gotículas de água dão as
Se as frágeis pequenas leves inocentes gotículas de água dão as mãos
Se as frágeis pequenas leves inocentes gotículas de água dão as mãos para
Se as frágeis pequenas leves inocentes gotículas de água dão as mãos para formar
Se as frágeis pequenas leves inocentes gotículas de água dão as mãos para formar o
Se as frágeis pequenas leves inocentes gotículas de água dão as mãos para formar o nevoeiro
por
que
razão
não
as
dãoos
professores?
Sandra Cardoso
terça-feira, outubro 17, 2006
O Canto dos Sonhos, 5
O PORTUGAL FUTURO

imagem de Graça
O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
Ruy Belo
in Todos os Poemas II
Assírio & Alvim, 2ª ed.,p.147
domingo, outubro 15, 2006
DÁ QUE PENSAR, 4
" (...) Neste momento, Portugal é um mistério. É impossível a gente calcular o que virá a ser dele! É uma Pátria que a noite envolve, entregue aos morcegos e às aves agoureiras. Aqui, não se vê um palmo adiante do nariz; é tudo confusão e sombra. (...)"
Teixeira de Pascoaes
Fevereiro de 1908
in Cartas de Autores Portugueses
Correios e Telecomunicações de Portugal,
1987, p.68
sexta-feira, outubro 13, 2006
Diálogos Soltos, 2
-Dá-me a mão.
-Para onde me levas?
-Fecha os olhos e confia em mim!
-Preciso de ver por onde vou.
-Se não fechares os olhos, nunca verás.
segunda-feira, outubro 09, 2006
Tout le Temps, Tout le Temps
J'ai appris de lui
Tout,
Les gestes et les cris
Tout,
Les baisers bouleversants
Et les mots difficiles
Réveil sans
Domicile
... Oser
Ce qu'il ose
J'ai appris pour lui
La
Souffrance et l'envie
La
Jalousie comme une corde
Ce désordre des sens
L' indécence
Et le coeur
A tordre
Toutes ces choses
Oui
Tout le temps, tout le temps
Oui
Tout le temps, pour lui
Je dépense mon temps
Je dépends ma vie ...
Même s'il m'aime par à-coups
Si je suis pour lui qu'une page
Un peu de son paysage,
Je pense à lui malgré tout
En silence
Sans violence
Aussi
Avec violence ...
Surtout pas me faire
Plaindre
Surtout pas me faire
Peindre
En petite fille bien gentille
Je suis tombée toute seule
Toute seule dans
Sa petite gueule
De loup
Et c'est tout
ELSA
in Elsa L'essentiel 1986-1993
Les Editions Productions Georges Mary
EMI Music
domingo, outubro 08, 2006
A FLOR
imagem de Kiko
Não era essa, meu amor, a flor
Secreta há tantos dias protegida
Da claridade de um beijo de vida
Da escuridão de uma chama de dor
Não era essa, meu amor, a flor
Amada há tantos dias prometida
Na rima para uma canção proibida
Nos versos para um poema de amor
E se essa que hoje me colheste encanta
De aromas mil olhares de mais além
Sabe que a nossa flor de vida tanta
Cresce bela na terra de ninguém
Feliz à chuva e ao sol livre canta
Com letra de vento e música d'outrem
sexta-feira, outubro 06, 2006
DÁ QUE PENSAR, 3

-Não. Tenho muito que amar.
(Não entendo ser professor de outra maneira. E não me venham dizer que isto cansa e mata; morrer-se sempre se morre: e à minha maneira tem-se a consolação de não ser em vão que se morre de cansaço.)"
Sebastião da Gama
in Diário de Sebastião da Gama
Edições ÁTICA, Outubro 1996, p. 83
quinta-feira, outubro 05, 2006
DIA MUNDIAL DO PROFESSOR
Explicações

imagem de Karina
quarta-feira, outubro 04, 2006
Lunático
segunda-feira, outubro 02, 2006
O Canto dos Sonhos, 4

Natália Correia,1955
sábado, setembro 30, 2006
Talvez
quinta-feira, setembro 28, 2006
O GRITO

Edvard Munch
(1863-1944)
quarta-feira, setembro 27, 2006
O Canto dos Sonhos, 3
imagem de Alexandre Costa
A tua morte é sempre nova em mim.
Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos de um livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.
E assim, até à noite final
irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
Redescubro a tua morte como outros
descobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás viva.
Viverei até à hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.
O único presente verdadeiro é teres partido.
Adolfo Casais Monteiro
(Excerto)
À memória de Raquel Moacir
in Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa
de Eugénio de Andrade
Campo de Letras, 3ª ed., p.438
domingo, setembro 24, 2006
Diálogos soltos
sábado, setembro 23, 2006
DÁ QUE PENSAR, 2
"O hospital é um gigantesco edifício atravessado por corredores , onde nunca é de noite nem muda a temperatura, o dia deteve-se nas lâmpadas e o Verão nos aquecedores. As rotinas repetem-se com ardilosa precisão; é o reino da dor, aqui chega-se para sofrer, assim o compreendemos todos. As misérias da doença igualam-nos, não há ricos nem pobres, ao atravessar este umbral os privilégios desfazem-se em fumo e tornamo-nos humildes."
sexta-feira, setembro 22, 2006
quinta-feira, setembro 21, 2006
NO MAN'S LAND
quarta-feira, setembro 20, 2006
A veia do poeta
imagem de SissiCansado do movimento
Que percorre a linha recta
Fui ficando mais atento
Ao voo da borboleta
Fui subindo em espiral
Declarando-me estafeta
Entre o corpo do real
E a veia do poeta
Mas ela não se detecta
À vista desarmada
E o sangue que lá corre
Em torrente delicada
É a lágrima perpétua
Sai da ponta da caneta
Vai ao fim da via láctea
E cai no fundo da gaveta
Ai de quem nunca guardou
Um pouco da sua alma
Numa folha secreta
Ai de quem nunca guardou
Um pouco da sua alma
No fundo de uma gaveta
Ai de quem nunca injectou
Um pouco da sua mágoa
Na veia do poeta
Carlos Tê/Rui Veloso
in A espuma das Canções
2005 EMI Music Portugal, Lda
































