domingo, dezembro 14, 2008
terça-feira, dezembro 09, 2008
Postal dos Correios
Postal do Correios
Rio Grande(Rui Veloso, João Gil, Jorge Palma, Vitorino, Quim)
Querida mãe, querido pai, então que tal?
Nós andamos do jeito que Deus quer
Entre dias que passam menos mal
Lá vem um que nos dá mais que fazer
Mas falemos de coisas bem melhores:
A Laurinda faz vestidos por medida
O rapaz estuda nos computadores
Dizem que é um emprego com saída
Cá chegou direitinha a encomenda
Pelo "expresso" que parou na Piedade
Pão de trigo e linguiça p'ra merenda
Sempre dá para enganar a saudade
Espero que não demorem a mandar
Novidades na volta do correio
A ribeira corre bem ou vai secar?
Como estão as oliveiras de "candeio"?
Já não tenho mais assunto p’ra escrever
Cumprimentos ao nosso pessoal
Um abraço deste que tanto vos quer
Sou capaz de ir aí pelo Natal.
Um abraço deste que tanto vos quer
Sou capaz de ir aí pelo Natal.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Muda de Vida
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será te ti ou pensas que tens... que ser assim
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
António Variações/Humanos
terça-feira, novembro 25, 2008
segunda-feira, novembro 17, 2008
16 de Novembro de 2008
Dizem-me que as entrevistas valeram a pena. Eu, como de costume, duvido, talvez porque já esteja cansado de me ouvir. O que para outros ainda lhes poderá parecer novidade, tornou-se para mim, com o decorrer do tempo, em caldo requentado. Ou pior, amarga-me a boca a certeza de que umas quantas coisas sensatas que tenha dito durante a vida não terão, no fim de contas, nenhuma importância. E porque haveriam de tê-la? Que significado terá o zumbido das abelhas no interior da colmeia? Serve-lhes para se comunicarem umas com as outras? Ou é um simples efeito da natureza, a mera consequência de estar vivo, sem prévia consciência nem intenção, como uma macieira dá maçãs sem ter que preocupar-se se alguém virá ou não comê-las? E nós? Falamos pela mesma razão que transpiramos? Apenas porque sim? O suor evapora-se, lava-se, desaparece, mais tarde ou mais cedo chegará às nuvens. E as palavras? Aonde vão? Quantas permanecem? Por quanto tempo? E, finalmente, para quê? São perguntas ociosas, bem o sei, próprias de quem cumpre 86 anos. Ou talvez não tão ociosas assim se penso que meu avô Jerónimo, nas suas últimas horas, se foi despedir das árvores que havia plantado, abraçando-as e chorando porque sabia que não voltaria a vê-las. A lição é boa. Abraço-me pois às palavras que escrevi, desejo-lhes longa vida e recomeço a escrita no ponto em que tinha parado. Não há outra resposta.
domingo, novembro 16, 2008
Sonhos
Obscuro, procuro a voz da estrela
Norte enquanto tu lês
Homero e decoras versos da
Odisseia e gestos de herói.
Só a pronúncia estraga o teu disfarce.
Sandra Cardoso
quarta-feira, novembro 12, 2008
quarta-feira, novembro 05, 2008
terça-feira, novembro 04, 2008
quarta-feira, outubro 15, 2008
saudade, 2
quarta-feira, outubro 08, 2008
segunda-feira, outubro 06, 2008
sexta-feira, outubro 03, 2008
quarta-feira, outubro 01, 2008
Crepúsculo
quarta-feira, setembro 03, 2008
domingo, junho 01, 2008
Palavrear
Já pensava
que o vento parara
eis que surge
a palavra
quente e doce
memória de
dias anteriores ao de hoje
Se ao menos eu não soubesse ler!
E fujo
do que ela sussurra
fujo
para me segurar a mim
Mas o aroma a azul,
o sabor a verde
(malditos sentidos)
soltam-se da palavra
e atam-me as mãos.
Caio.
Depois
um pássaro
leve como a água
lembra-me que o sol
também nasce no Ocidente
segunda-feira, abril 14, 2008
quinta-feira, abril 03, 2008
domingo, março 30, 2008
Leituras, II
A mãe bem o avisara que não olhasse para trás, perdia-se muito tempo e não via o que estava à frente. Mas aquela mania de dizer adeus aos amigos, sempre que partia para uma nova cidade, crescera com ele ... e não o abandonaria nunca. Ele sabia que a distância não era inimiga da amizade verdadeira.
A chave
Hoje passei a olhar para as chaves com outros olhos. Instintivamente, peguei novamente na chave do meu blogue e abri a porta. A princípio assustei-me ... a escuridão era tanta, quase me arrependi ... mas após um telefonema para a edp fez-se luz ... Sejam bem-vindos!
quarta-feira, outubro 31, 2007
L'amour devant la mer
quarta-feira, outubro 17, 2007
Até ao Fim
sexta-feira, setembro 28, 2007
terça-feira, setembro 18, 2007
domingo, agosto 26, 2007
terça-feira, agosto 14, 2007
Diálogos soltos, 11
-Não sei... há tantos...os outros podem...
- Enganas-te ... há só um ... o do coração ... os outros levar-te-iam para longe de ti.
Sandra Cardoso
domingo, agosto 05, 2007
Leituras
terça-feira, julho 17, 2007
Fragmentos, 2
Era um tempo em que não havia tempo. Eu vivia tardes soalheiras num jardim recortado de sonhos, onde criava a minha história com múltiplas personagens imaginárias… sozinha, perdida entre flores, pássaros, formigas…havia também o baloiço, na roda que puxara a água e que ainda rodava, esquecida do tempo…
O meu tempo era o tempo que a formiga levava a percorrer a minha mão e a subir os dedos que lhe apareciam pela frente. Sem nunca contornar os obstáculos…enfrentava-os…Terá começado aí a minha mania de filosofar (ou será que já nascemos assim?)… A formiga, frágil ser em meu poder, não desistia.
Tenho a certeza hoje da importância dessa aprendizagem na minha vida, da importância de ter vivido essas tardes sozinha, mas não solitária, da importância da natureza, do silêncio…e do tempo para pensar.
Mas que fazemos nós, agora, aos nossos filhos? Roubamos-lhes o tempo…queremos que estejam ocupados, inscritos em actividades em todos os dias das férias e até nos esquecemos de que precisam de tempo…para crescer.
Sandra Cardoso
segunda-feira, julho 09, 2007
que me nomeou no dia 13 de Junho com um

logo eu que estava aqui tão quietinha no meu cantinho, sem me mexer muito para ninguém dar por mim … mas o João insistiu …Demorei bastante…falta de tempo ... mas aqui vão as nomeações
o blog do Alberto http://www.papeldefantasia.blogspot.com/
o blog da Licínia, http://www.sitiopoema.blogspot.com/
o blog da Dulce, http://www.paralemdemim.blogspot.com/
o blog do Manuel, http://www.de-proposito.blogspot.com/
o blog da Whisper e da Aspirante, http://www.cinefilos-anonimos.blogspot.com/
Como vês, João, não quebrei a corrente, mas suspeito que as minhas nomeações não venham a contribuir para novos encadeamentos, pois já quase todos estes blogs foram nomeados.
Beijinho e obrigada, João, pela tua presença!
sábado, junho 16, 2007
segunda-feira, junho 04, 2007
quarta-feira, maio 23, 2007
terça-feira, maio 15, 2007
Juro que não
segunda-feira, maio 07, 2007
Balada das Quatro Meninas

Foto A.M. Pinto da Silva
quarta-feira, maio 02, 2007
Poemas da minha vida, 1
Caminhava.
E na esquina esburacada de uma casa,
duma casa já não casa,
vi os restos esqueléticos de um candeeiro antigo
que ali fora enforcado
e ali estava.
Mais à frente,
a um portal escancarado, sem portal,
havia lixo, um cheiro a gatos vivos, ratos mortos
e um murmúrio apagado, o fim real ...
mas, ali havia gente!
Depois, um cão, sujo, magro como os seus ossos.
E, depois, uma criança que me olhava.
Que me olhava!
Uma criança!
Uma criança que não era criança
mas que tinha pezitos nus trilhados na pedra
côncava daquele chão que não tinha chão;
Uma criança que não era criança mas que tinha olhos,
olhos tristes,
tão tristes que entristeceram os meus;
Uma criança que não era criança, mas que tinha voz,
uma voz quase sem voz, mas que eu ouvia!
E ali estava o ser, ali vivia;
Era uma vida que sofria, comédia que arrepia ...
Como é possível, meu Deus?!
Corri louco para trás,
gritei quanto fui capaz
mas o mundo não me ouvia.
Ameacei satanás;
Mostrei a Deus quem sofria
pedindo amor, pão e paz,
mas também ninguém me ouvia!
E tudo há tanto tempo se passou
e a sorte da má sorte, não mudou!
sérgio O. sá
Do Banco do Jardim, Poemas
Ed. do Autor, Maio 1977, pp. 58-59
quarta-feira, abril 25, 2007
Crianças
Artur FrancoNós, as crianças,
Queremos brincar
Em liberdade
Em qualquer lugar.
Queremos brincar aqui,
Sem haver prisões, sem armas, sem tiros e sem ladrões.
Não queremos mais a fome.
Não queremos mais a guerra.
Não queremos mais o ódio.
Não queremos mais mentira.
Queremos paz em toda a Terra.
Queremos brincar ao sol,
Como uma flor.
Nós, as crianças,
Queremos amor!
Nota: Este foi o primeiro poema que eu disse em público. Deveria ter cerca de seis anos. Infelizmente, não sei quem é o autor. Mas o poema...nunca mais o esqueci. A mensagem continua actual.
terça-feira, abril 24, 2007
segunda-feira, abril 23, 2007
Dia Mundial do Livro
Um livro é um amigo eterno.
Sandra Cardoso
Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais.
Tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia.
Eugénio de Andrade
Ofício de Paciência
quinta-feira, abril 19, 2007
quarta-feira, abril 18, 2007
LES SÉPARÉS
N'écris pas.Je suis triste, et je voudrais m'éteindre.
Les beaux étés sans toi, c'est la nuit sans flambeau.
J'ai refermé mes bras qui ne peuvent t'atteindre,
Et frapper à mon coeur, c'est frapper au tombeau.
N'écris pas !
N'écris pas.
N'apprenons qu'à mourir à nous-mêmes.
Ne demande qu'à Dieu... qu'à toi, si je t'aimais !
Au fond de ton absence écouter que tu m'aimes,
C'est entendre le ciel sans y monter jamais.
N'écris pas !
N'écris pas.
Je te crains ; j'ai peur de ma mémoire ;
Elle a gardé ta voix qui m'appelle souvent.
Ne montre pas l'eau vive à qui ne peut la boire.
Une chère écriture est un portrait vivant.
N'écris pas !
N'écris pas ces doux mots que je n'ose plus lire :
Il semble que ta voix les répand sur mon coeur ;
Que je les vois brûler à travers ton sourire ;
Il semble qu'un baiser les empreint sur mon coeur.
N'écris pas !
Marceline Desbordes-Valmore
(1786-1859)
terça-feira, abril 17, 2007
sexta-feira, abril 13, 2007
TESTAMENTO
Luís Rosae o medo das alturas misturado comigo
faz-me tomar calmantes
e ter sonhos confusos
Se eu morrer
quero que a minha filha não se esqueça de mim
que alguém lhe cante mesmo com voz desafinada
e que lhe ofereçam fantasia
mais que um horário certo
ou uma cama bem feita
Dêem-lhe amor e ver
dentro das coisas
sonhar com sóis azuis e céus brilhantes
em vez de lhe ensinarem contas de somar
e a descascar batatas
Preparem a minha filha
para a vida
se eu morrer de avião
e ficar despegada do meu corpo
e for átomo livre lá no céu
Que se lembre de mim
a minha filha
e mais tarde que diga à sua filha
que eu voei lá no céu
e fui contentamento deslumbrado
ao ver na sua casa as contas de somar erradas
e as batatas no saco esquecidas
e íntegras
Ana Luísa Amaral
Minha Senhora de Quê
Quetzal Editores
Lisboa, 1999
quarta-feira, março 28, 2007
À espera do poema, 2
... ser das palavras a voz
grito d'alma em terra d'amor
ou grito d'amor em terra d'alma ...
terça-feira, março 20, 2007
sábado, março 17, 2007
PELE
David Mourão-Ferreira
segunda-feira, março 12, 2007
quinta-feira, março 08, 2007
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Muitas vezes, misturo-me na multidão, para não pensar. Ouço as vozes, observo todas as pessoas que passam por mim, olho as montras, os preços, espero pelo sinal verde, atravesso estradas, ouço o barulho dos automóveis e, enquanto me distraio com o ruído, não me ouço, esqueço-me, quase me anulo na multidão. Porque a minha voz, quando me deito no silêncio da noite, a minha voz quase não acreditando que é minha, a minha voz a sugerir aos meus pais que colocassem a minha avó num lar, a minha voz a pedir aos meus pais que colocassem a minha avó num lar, a minha voz a impor aos meus pais que colocassem a minha avó num lar, não me dá tréguas. E só consigo adormecer quando ouço que era para bem deles, que a vida deles era um inferno, acordar às quatro horas da manhã e ver que a minha avó tinha colocado todas as roupas que possuía no chão e tinha feito uma trouxa e queria encontrar a porta para se ir embora e que eles não conseguiam dormir e que tinha arrancado a fralda e eram mais dois lençóis e um edredon, mais dois porque já tinha sido assim a semana inteira e que, além disso, tinham de ouvir os insultos da minha avó e os gritos e as agressões e que, no dia seguinte, a minha mãe tinha de trabalhar e que não podiam deixar de olhar para ela um segundo, porque ela podia fugir como já fizera tantas vezes, podia saltar novamente o muro da nossa casa e magoar-se, porque era melhor para ela, para eles, para mim ... Só assim é que eu consigo adormecer, por algumas horas, sabendo que antecipei a morte da minha avó, para salvar a saúde mental dos meus pais, porque, por muito bons que sejam os lares, ninguém trata melhor a nossa mãe, a nossa avó, do que nós...
Felizmente, os meus pais tinham algum dinheiro para pagar a prestação de um lar....estiveram à espera de vaga nos outros, nos do Estado, mas não havia...não havia... nos do Estado não há vagas para os idosos, o que importa os idosos? E os meus pais conseguiram pagar para terem um pouco de paz, (se é paz ir visitar a nossa mãe a um lar...).
Agora, uma outra imagem me atormenta, o desespero daquele homem obrigado a cometer um crime no final da sua vida, uma vida honrada, porque só um homem da altos valores poderia ter tamanho acto de amor, o desespero de não ter tido resposta de uma sociedade que aponta a justiça social como um dos seus valores fundamentais, o desespero de quem grita e não é ouvido. E atormenta-me saber que há tantos homens e mulheres e crianças que estão a gritar neste momento e eu estou aqui, com a cabeça na almofada, sem conseguir fechar os olhos, porque ouço o desespero da solidão daquele homem, ouço o seu grito mudo e sinto os tiros que entram em mim como sirenes de revolta ...
Assusta-me saber que não adianta pedir, reclamar, participar em manifestações, em greves...assusta-me esta impotência a que o cidadão comum chegou ...assusta-me que a única solução daquele homem tenha sido aquela, porque, acreditem, visto daqui e agora, continuo a achar que nós não tínhamos solução para aquele homem. E por isso não durmo. Não consigo, porque penso no estado das coisas e no Estado. Será que à noite, apagadas as luzes do dia, quando pousa a cabeça na almofada, o Estado consegue fechar os olhos e dormir um sono tranquilo?
p.s. esta reflexão vem no seguimento da notícia de um idoso que matou a mulher, doente de Alzheimer, e que se suicidou em seguida.
segunda-feira, março 05, 2007
RENTE AO CHÃO
A.M.Pinto da Silva
Sem nenhuma razão a voz rompia,
a rasteirinha voz tão rente à vida
que se confunde com a luz do chão,
a luz de março rastejando ainda.Eugénio de Andrade
in O Outro Nome da Terra
Ed. Limiar, Out.1988, p. 29
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
...
há manhãs de chuva
que molham a alma
apenas pelo lado de fora
há tardes de sol
que queimam o corpo
realidade adentro
há noites de luar
que riscam a vermelho
o peito desiludido dorido enxuto
de tanto esperar pelo dia seguinte
tu tu banhas as pétalas
do meu sonho revolto envolto
em círculos ténues
de tempestades perenes
de verdadeiro estio
e estás sempre pronta a irrigar
de pranto de alegria de esperança
o meu plantio isto é
as minhas terras de cultivo
Manuel Fontão
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
CHUVA
Chove.
A grua indica o caminho.
A gaivota pousa na grua.
Olha o mar.
Chove.
Em que pensará a gaivota pousada na grua
Alta
Olha o mar
Olha a minha sala
Olha-me sentada no sofá ou deitada
O sofá
A gaivota à chuva olha o mar
Eu sentada ou deitada ouço o mar
E não chove
No sofá
Não
Chove
Na grua alta que mostra o mar à gaivota
E a mim
O que mostra o sofá?
A gaivota parte
E a mim
O que mostra o sofá?
Fica a grua
Fica o sofá
Fico.
O que mostra o sofá?
Chove.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Uma vez, aos sete anos,
partiu à pedrada a lanterna da porta da igreja
Dez anos depois, conduzindo um carro,
não parou num cruzamento de rua
onde havia um sinal de stop.
Dois anos depois, teve uma briga
num bar, e partiu a cabeça a um amigo
com uma garrafa de cerveja.
Quando se recusou a combater no Viet-Nam,
o seu cadastro provara como desde a infância,
sempre manifestara sentimentos
nitidamente de traidor à pátria.
12 de Agosto de 1969(?)
Jorge de Sena
in Poesia de Jorge de Sena
Ed. Comunicação, 1985, p.179






























